NR-1 passa a fiscalizar riscos psicossociais e Sindael cobra ações da Sanepar
Com a entrada em vigor das novas regras da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), o Sindael cobrou nesta terça-feira (26) a Sanepar sobre quais medidas serão adotadas pela Companhia para adequação às novas exigências relacionadas à saúde mental e aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
A atualização da NR-1 que entrou em vigência hoje, passou a exigir que empresas incluam no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) fatores ligados à organização do trabalho que possam causar adoecimento mental, como pressão excessiva, burnout, assédio moral, sobrecarga, ambientes tóxicos, insegurança funcional e estresse crônico.
Na prática, a fiscalização do trabalho também passa a analisar não apenas questões físicas e operacionais, mas a forma como o trabalho é organizado dentro das empresas e os impactos disso sobre os trabalhadores.
Diante desse novo cenário, o Sindael solicitou da Sanepar informações sobre o inventário de riscos psicossociais, medidas preventivas adotadas, protocolos de combate ao assédio organizacional, ações voltadas à saúde mental e adequações relacionadas ao atual modelo de gestão e avaliação funcional.
Segundo o presidente do Sindicato, Marco Santana, as novas regras representam mudança importante na forma como o ambiente de trabalho será tratado pelas empresas e pelos órgãos de fiscalização. Segundo ele, “hoje a saúde mental do trabalhador passa a ser tratada como questão de saúde e segurança do trabalho. A NR-1 deixa claro que pressão excessiva, ambientes adoecedores, assédio organizacional e sobrecarga precisam ser prevenidos pelas empresas.”
Marco Santana também destacou que o tema precisa ser tratado com responsabilidade e seriedade, “muitos trabalhadores convivem diariamente com pressão psicológica, insegurança e desgaste emocional. Isso não pode mais ser tratado como algo normal do trabalho. A nova NR-1 muda essa lógica e coloca sobre as empresas a obrigação de agir preventivamente”, declarou.
Além disso, o Sindicato demonstrou preocupação com relatos recorrentes envolvendo o atual modelo do PCCR, alvo de críticas e denúncias feitas pelos trabalhadores nos últimos anos.
Entre os pontos apontados ao Sindicato estão avaliações consideradas subjetivas, ausência de critérios transparentes, competição interna excessiva, pressão por desempenho e impactos negativos no ambiente organizacional.
“O trabalhador não pode adoecer em silêncio. Quando existe um ambiente de medo, pressão constante e desgaste emocional, isso precisa ser enfrentado, a prevenção agora é obrigação legal”, completou Marco.
O Sindael acompanhará o cumprimento das novas exigências da NR-1 e, caso sejam identificadas omissões ou irregularidades, irá solicitar fiscalização e inspeção junto ao Ministério do Trabalho e demais órgãos competentes.
O Sindael orienta todos os trabalhadores que estejam enfrentando situações de pressão excessiva, assédio moral, perseguição, avaliações abusivas, sobrecarga de trabalho, adoecimento emocional ou qualquer prática considerada incompatível com as novas exigências da NR-1, que procurem imediatamente o Sindicato.
As denúncias serão tratadas com sigilo e responsabilidade, fortalecendo a atuação da entidade na defesa da saúde, dignidade e direitos da categoria.



