R$ 585 milhões para acionistas. E o PPR dos trabalhadores?
A Sanepar já definiu: no dia 26 de junho de 2026 vai pagar cerca de R$ 585 milhões aos acionistas em juros sobre capital próprio (JCP), referentes ao exercício de 2025. Para eles, está tudo certo, aprovado e com data marcada.
Foram R$ 420,3 milhões deliberados em junho de 2025 e mais R$ 164,9 milhões aprovados em dezembro. Total: mais de meio bilhão de reais.
Agora, quando o assunto é o trabalhador, o cenário é outro: silêncio absoluto. A empresa que adora divulgar números, ao mercado, simplesmente não encontra tempo para dar uma resposta básica aos seus trabalhadores.
Fica a sensação de que, na hora de dividir o resultado, quem produz é tratado como detalhe, invisível quando convém, e lembrado só quando é para cobrar meta.
E já estamos em maio! O balanço de 2025 já foi fechado, a companhia encerrou o ano com cerca de R$ 7,2 bilhões de receita e R$ 2,1 bilhões de lucro líquido. Ou seja: resultado teve. E foi forte.
Mas, até agora, nenhuma informação sobre o PPR 2025. Nada de data. Nada de valor. Apenas para os acionistas, que já tem valor definido e pagamento garantido.
A diferença de tratamento é evidente — e inaceitável: Para o acionista: previsibilidade, organização e pagamento certo, e para o trabalhador: silêncio, dúvida e falta de respeito.
Não dá para aceitar isso. O PPR não é favor. Não é bônus opcional. Não é o que sobra.
O PPR é parte do resultado — resultado construído diariamente pelos trabalhadores.
Se a empresa já apurou lucro bilionário, se já definiu valores para acionistas e se já tem calendário de pagamento, não existe justificativa para manter quem faz a empresa funcionar no escuro.
Esse silêncio só aumenta a desconfiança e o trabalhador não vive de promessa. Queremos saber: quando será divulgado o PPR 2025? Qual o valor?
Porque uma coisa é certa: Se tem R$ 585 milhões e data marcada para acionista, tem que ter transparência e respeito para o trabalhador.
A luta não é por favor.
É por direito.



