Sob Ratinho Jr e Claudio Stábile, Sanepar já pagou R$ 1,4 bilhão a acionistas
Com informações do DIEESE, BdF e Sindael
Sob a gestão do governador Ratinho Junior e do presidente da Sanepar, Claudio Stábile, a companhia vem registrando lucros recordes, refletidos na distribuição de R$ 1,4 bilhão em dividendos desde que a atual administração assumiu o controle do Paraná.
Enquanto os números impressionam o mercado, com anúncio de um lucro líquido de R$ 396 milhões apenas no terceiro trimestre de 2023, a realidade vivenciada pelos trabalhadores da empresa conta uma história diferente, marcada por desvalorização e esforço desmedido.
Apesar dos desafios impostos pela pandemia e pela estiagem, que demandaram dos cidadãos paranaenses um uso mais racional da água, a política de dividendos implementada por Ratinho Junior e Claudio Stábile não sofreu alterações, mantendo-se robusta.
No primeiro ano de gestão de Ratinho Junior, os acionistas foram agraciados com R$ 330 milhões em dividendos, cifra que representa 30,59% do lucro líquido da Sanepar. Nos anos subsequentes, mesmo com uma leve queda em 2020, a companhia seguiu repassando um percentual significativo de seus lucros aos acionistas, chegando a distribuir R$ 432 milhões em 2022, o que corresponde a 37,57% do lucro líquido do ano.
Essa generosidade para com os acionistas contrasta fortemente com o tratamento dispensado aos trabalhadores da Sanepar. Enquanto a empresa celebra um aumento na receita líquida de 283,28% desde 2010, alcançando R$ 5,7 bilhões em 2022, os funcionários veem um cenário bem diferente em relação aos seus salários e condições de trabalho.
De acordo com dados compilados pelo DIEESE Paraná, o aumento na folha de pagamento desde 2010 foi de 181,35%, mas esse crescimento não acompanhou o ritmo da expansão da receita, especialmente durante o período entre 2018 a 2022, sob a liderança de Ratinho Junior e Claudio Stábile, quando o aumento foi de apenas 21,23%.
Mais alarmante ainda é a redução de 11,72% no quadro de funcionários da empresa desde o início da gestão de Claudio Stábile, passando de 7.022 para pouco mais de 6 mil trabalhadores. Esse enxugamento da força de trabalho não apenas sobrecarrega os empregados remanescentes, como também sinaliza uma desvalorização do capital humano em favor do retorno financeiro aos acionistas.
Em meio a esse cenário, os trabalhadores da Sanepar se veem cada vez mais pressionados a fazer mais com menos, enquanto assistem ao fruto de seu trabalho beneficiar primordialmente os acionistas, em detrimento de investimentos em melhorias salariais ou em condições de trabalho.
A situação evidencia um desequilíbrio nas prioridades da gestão de Ratinho Junior e Claudio Stábile, onde a maximização do lucro parece ofuscar a importância de reconhecer e valorizar o esforço dos funcionários que são fundamentais para o sucesso contínuo da companhia.