EDITORIAL: Proposta da Sanepar: propaganda no papel, desrespeito na mesa!
Trabalhadores e trabalhadoras, a proposta da Sanepar para o ACT 2026/2027 não é “difícil”. Ela é indigna. É daquelas que chegam para testar até onde o trabalhador aguenta ser tratado como número.
Vem embrulhada em frase bonita — “diálogo”, “respeito”, “valorização” — mas quando a gente abre o pacote, é só isso: INPC e manutenção do que já existe, com um “mínimo de R$ 160,00” para fingir sensibilidade. Isso não é proposta. É controle de danos.
Vamos dizer o que precisa ser dito: repor inflação não é aumento, é obrigação. Qualquer empresa séria sabe disso. Uma estatal que se vende como referência em sustentabilidade e responsabilidade social deveria ter vergonha de trazer uma “proposta” que, na prática, diz ao trabalhador: “fique como está, e agradeça”.
E ainda tenta passar como se estivesse “equilibrando” interesses. Equilíbrio para quem? Para o trabalhador que está na rua, em escala, em plantão, em emergência, lidando com risco e cobrança? Para esses, o recado é claro: sem ganho real, sem correção de distorções, sem reconhecimento de verdade.
A categoria apresentou pauta. Apresentou motivos. Apresentou necessidades reais. E a Sanepar devolveu um texto que ignora o essencial e se apega ao mínimo legal e contábil. “Aplicar INPC nas verbas”, “manter conquistas”, “incentivo de férias”, “auxílio calamidade”… tudo isso pode até existir, mas não substitui o núcleo da negociação: salário e valorização.
Quando a proposta não encara esse ponto com seriedade, ela vira só maquiagem. E maquiagem não paga mercado, não paga aluguel, não paga remédio.
O Sindael não vai bancar teatro. Não vamos fingir que isso é material “para avaliação” e jogar para assembleia só para cumprir protocolo. Tem proposta que não merece votação. Esta é uma delas. Porque ela não respeita a pauta, não respeita o trabalhador e não respeita o próprio processo negocial.
E é aqui que a empresa precisa parar de discursar e começar a praticar: se existe respeito e valorização, isso aparece em números e em cláusulas, não em slogan de “propósito”.
Nossa exigência é objetiva e justa: 100% do INPC para repor a inflação e 100% do INPC como ganho real. Não é radicalismo — é correção de rota. É devolver poder de compra, é reconhecer a responsabilidade de quem sustenta o saneamento todos os dias, é parar de empurrar a defasagem para dentro da casa do trabalhador. Sem isso, qualquer “pacote” é só tentativa de empurrar migalhas para os trabalhadores.
E tem mais: a Sanepar adora falar de ESG. Pois então: o “S” é de social. Social não é folder. Social é salário decente, é adicional justo, é respeito à ponta, é não empurrar custo para quem ganha menos, é não tratar escala e risco como detalhe.
Quando a empresa prega sustentabilidade e entrega uma proposta minimalista, ela está dizendo, na prática, que o social é só enfeite.
Rejeitamos essa proposta. Voltem à mesa com algo decente e que atenda os pontos centrais da pauta, e que traga valorização real.
O trabalhador não pede favor. O trabalhador exige respeito — e respeito, aqui, tem nome: ganho real.
E, a partir de agora, uma coisa precisa ficar muito clara: nada vai mudar se cada um ficar por si. A Sanepar só recua quando encontra uma categoria unida, organizada e disposta a enfrentar.
É a união dos trabalhadores e trabalhadoras — da operação, da rua, da escala, do atendimento, de todas as áreas — que transforma indignação em força real de negociação.
Por isso, este é o momento de cerrar fileiras: fortalecer o sindicato, conversar com os colegas, não cair em discurso pronto e não aceitar migalha como se fosse conquista. A valorização não virá por boa vontade, nem por propaganda institucional. Ela virá por pressão coletiva.
Se a empresa quer respeito, vai ter que demonstrar respeito — pagando o justo, reconhecendo quem sustenta o saneamento todos os dias.
E isso só acontece de um jeito: com união.
Marco Santana
Presidente do SINDAEL



