ACT 26/27: Proposta da Sanepar é irrisória e não valoriza trabalhadores

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A proposta de ACT 26/27 apresentada pela Sanepar na data de hoje, chega sem atender as principais demandas dos trabalhadores e sem garantir ganho real de forma ampla, o que torna o pacote irrisório diante da responsabilidade de quem mantém o saneamento funcionando todos os dias.

Reajuste: “INPC ou R$ 160,00” é pouco e não valoriza

A empresa propõe reajuste salarial pelo INPC, com garantia mínima de R$ 160,00 (o que for maior) a partir de 01/03/2026.

E aqui fica claro o problema: não há garantia de valorização real para todos — na prática, a maior parte da categoria tende a ficar apenas na reposição.

Exemplo prático (apenas como referência)

Ainda não sabemos o INPC fechado de fevereiro, então, apenas como exemplo, se fosse usado o INPC de janeiro (4,3031%), dá pra ver o tamanho do “ganho”:

  • Operacional (R$ 2.366,12)
    • INPC (4,3031%) daria R$ 101,82
    • Como R$ 160,00 é maior, a empresa aplica o mínimo
    • Isso representa 6,7621% nominal, ou seja, ganho real de 2,46% apenas nessa faixa
    • Novo salário: R$ 2.526,12
  • Técnico (R$ 4.115,00)
    • INPC (4,3031%) daria R$ 177,07
    • Aqui o INPC já é maior que R$ 160,00
    • Resultado: zero ganho real (apenas reposição)
    • Novo salário: R$ 4.292,07

E o contraste é gritante: enquanto categorias profissionais teriam, nesse mesmo exemplo, um reajuste de R$ 311,47 se fosse aplicado o INPC de janeiro, os trabalhadores que estão nas ruas todos os dias, garantindo o serviço na ponta e recebendo os menores salários, ficam limitados a apenas R$ 160,00.

Isso não é valorização do trabalhador da ponta, é tratar quem ganha menos com o mínimo do mínimo.

Vale-alimentação e “manutenção do que já existe” não são avanço

A proposta também fala em aplicar INPC no vale-alimentação (mantendo desconto de 3%) e em manter conquistas anteriores. Mas reajustar apenas pela inflação, sem ganho real, não é conquista nova. É o mínimo para não haver perda.

Sindael vai rejeitar e apresentar contraproposta com ganho real

Diante desse cenário, o Sindael irá rejeitar de imediato a proposta e encaminhar uma contraproposta solicitando ganho real de 100% do INPC nos salários, ou seja, reposição integral da inflação + aumento real do mesmo percentual.

O presidente do sindicato, Marco Santana, criticou a proposta por não enfrentar a desigualdade salarial e por não valorizar quem está na linha de frente, “não dá para falar em justiça com quem mantém o saneamento funcionando e, ao mesmo tempo, oferecer o mínimo para quem ganha menos. Valorizar de verdade começa pelos trabalhadores da ponta, que estão nas ruas todos os dias e recebem os menores salários. A Sanepar tem condições de pagar o justo, e é isso que vamos pedir na mesa de negociação.”

Para o sindicato, ganho real não pode ser exceção nem “quebra-galho”: precisa ser uma política clara de valorização.

Reposição da inflação é obrigação.

Aumento real é respeito.

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