Sanepar ACT 26/27: Muito protocolo, pouca negociação!
A reunião convocada pela Sanepar para tratar do ACT 2026/2027 conseguiu um feito curioso: reunir todos os sindicatos para, basicamente, repetir aquilo que já estava escrito nos e-mails enviados anteriormente. Nenhuma novidade. Nenhum avanço. Apenas a leitura de uma proposta que todas as entidades já conheciam e já haviam recusado.
A sensação foi clara: a reunião não foi para negociar, mas para protocolar a ausência de negociação.
A proposta apresentada, extremamente enxuta, demonstra que não houve a mínima consideração às pautas construídas pelas entidades sindicais. Estamos falando de uma pauta com cerca de 70 itens, elaborada a partir da opinião dos trabalhadores. Em resposta, a Sanepar apresentou um texto minimalista, que ignora praticamente quase todos os pontos levantados.
Diante disso, não surpreende que as entidades tenham buscado reuniões individuais. Afinal, quando o diálogo coletivo não produz respostas, resta tentar compreender individualmente o que está acontecendo ou o que deixou de acontecer.
A comissão negocial, ainda que se esforce para cumprir o papel de mediadora entre os interesses da empresa e dos trabalhadores, aparenta não possuir autonomia para tratar dos pontos centrais da negociação. Não pode oferecer reajustes. Não pode negociar cláusulas econômicas de fato. Não pode avançar além do roteiro previamente estabelecido. Fica a pergunta inevitável: onde está a diretoria da empresa neste processo?
Nunca uma negociação esteve tão abandonada pela alta cúpula da Sanepar. Nunca um acordo foi tão ignorado.
E há um aspecto que beira o absurdo: o sindicato constrói uma pauta, envia à empresa, e recebe uma proposta que simplesmente não dialoga com os itens apresentados. Ao questionar, a resposta é: enviem uma contraproposta. Contraproposta de quê, exatamente? Se os itens da pauta sequer foram respondidos com um sim ou não, o que se espera? Que as entidades negociem consigo mesmas?
Negociação pressupõe confronto de ideias, análise de itens e posicionamento claro. O mínimo de honestidade institucional seria responder ponto a ponto a pauta apresentada. Ignorar os pedidos dos trabalhadores e apresentar um texto genérico não é negociação é desconsideração.
Outro ponto grave é a ultratividade. Até o momento, não houve garantia formal e inequívoca de que todos os direitos dos trabalhadores estão assegurados até o término das negociações.
Quando questionada, a comissão apresentou respostas desencontradas: um membro afirmou que historicamente a empresa nunca retirou direitos, outro garantiu que todos estariam assegurados, em seguida, a sua fala deu a entender que essa garantia seria até a data-base, em março, e ainda houve quem dissesse que a formalização da ultratividade seria analisada.
Se será analisada, é porque não está garantida. E isso é preocupante.
A garantia da ultratividade é elemento essencial para uma negociação equilibrada. Sem ela, cria-se um ambiente de pressão, onde o receio da perda de direitos pode ser utilizado como instrumento para forçar a aprovação de uma proposta que é insuficiente e desrespeitosa.
Segundo o presidente do Sindael, é preciso retomar o básico: responder integralmente a pauta apresentada. Não faz sentido algum que os sindicatos enviem um conjunto estruturado de reivindicações e recebam como retorno uma proposta que ignora o que foi solicitado.



