Sanepar 2T 2026│​A politicagem sequestrou o lucro da companhia

San (Copy)

Balanços financeiros que misturam resultados operacionais fortes com grandes prejuízos contábeis costumam gerar confusão. No caso do 2º trimestre de 2026 da Sanepar, os números revelam uma injustiça: a operação brilhou graças aos trabalhadores, mas a politicagem esvaziou o bolso de quem trabalha.

O debate técnico sobre a destinação do gigantesco precatório de IRPJ foi atropelado e distorcido por parlamentares da oposição. Em uma busca irresponsável por holofotes e capital político fácil, esses atores usaram o tema como palanque, pressionando pela tese populista de repassar 100% dos recursos para a tarifa. O objetivo nunca foi o equilíbrio do saneamento, mas sim o marketing eleitoral de curto prazo.

A Agepar, operando nesse ambiente de pressão demagógica, deu a “canetada” que forçou a companhia a reconhecer um passivo regulatório extra de R$ 952,7 milhões em um único trimestre. O resultado direto dessa manobra foi um prejuízo contábil artificial de R$ 505,2 milhões no papel.

No dia a dia, no que depende do empregado, a Sanepar foi excelente. Os números provam que os trabalhadores entregaram eficiência e garantiram um crescimento sólido para a empresa:

  • Mais eficiência: O índice de perdas de água caiu (de 31,96% para 30,83%). A empresa está desperdiçando menos água tratada.
  • Crescimento sólido: A receita bateu R$ 1,9 bilhão (aumento de 11,5%), impulsionada por mais clientes conectados (principalmente na rede de esgoto) e maior volume consumido.
  • Geração de Caixa Forte: O caixa gerado pela operação real (EBITDA ajustado) cresceu 15,1%, atingindo R$ 799,9 milhões.
  • Dívida Baixa: A saúde financeira segue ótima, com a dívida muito pequena em relação à capacidade real de gerar dinheiro da companhia.

De onde vem o prejuízo?

Se a operação foi tão boa, por que o balanço registrou um prejuízo de R$ 505,2 milhões? A resposta tem nome: o precatório do IRPJ e a politicagem irresponsável em cima dele.

Todos sabem que a Sanepar ganhou na justiça o direito de receber um valor milionário de impostos cobrados indevidamente no passado. A regra técnica e histórica dizia que 75% desse dinheiro iria para os consumidores (ajudando a segurar tarifas) e 25% ficaria na empresa para investimentos e remuneração.

Foi aí que a demagogia entrou em campo. Parlamentares da oposição, em uma busca irresponsável por holofotes e capital político fácil, usaram o tema como palanque. Eles pressionaram pela tese populista de repassar 100% dos recursos para a tarifa, ignorando completamente o equilíbrio econômico da companhia e o impacto direto que isso teria nos funcionários.

Cedendo a esse ambiente de pressão e marketing eleitoral de curto prazo, a Agepar deu uma “canetada”: determinou que 100% do dinheiro fosse repassado à modicidade tarifária. Isso obrigou a Sanepar a registrar, de uma só vez, uma dívida contábil (passivo regulatório) de R$ 952,7 milhões.

Foi esse lançamento contábil artificial que transformou um trimestre excelente em um rombo no papel.

E quem pagou a conta dessa manobra politiqueira? O trabalhador e o acionista.

Para o trabalhador, o impacto é direto. O Programa de Participação nos Resultados (PPR) da categoria está engessado à linha final do lucro contábil. Como o balanço fechou no vermelho por causa da pressão política sobre a Agepar, o lucro simplesmente “desapareceu”.

  • No início do ano, a Sanepar havia guardado dinheiro para pagar o PPR futuro. Com o prejuízo fabricado, a empresa foi obrigada a cancelar milhões que já estavam separados e garantidos para o PPR da categoria.
  • Os acionistas também sofreram o golpe, com a empresa suspendendo o pagamento de Juros sobre Capital Próprio (JCP) no semestre como medida de prudência.

Para fazer discurso fácil na oposição com o dinheiro de uma decisão judicial, implodiu-se o balanço contábil da empresa. Na base da canetada, tiraram o direito legítimo dos trabalhadores de participarem dos lucros que eles mesmos suaram para construir. A excelência da operação real foi ignorada.

O futuro próximo agora depende das esferas administrativa e judicial. A Sanepar deixou aberta a possibilidade de recorrer da decisão da Agepar. Se a companhia conseguir reverter essa determinação, o lucro contábil volta a aparecer e a injustiça pode ser corrigida.

Caso contrário, a fatura da irresponsabilidade política continuará caindo direto nas costas de quem carrega a empresa todos os dias.

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