Sindael inicia negociações do ACT 26/27 com a Sanepar
O Sindael realizou, na tarde de ontem (20/01), a primeira reunião para apresentação da pauta do ACT 26/27 com a Sanepar. O encontro realizado de forma virtual marcou a abertura formal das negociações, sem apresentação de contraproposta por parte da Companhia.
Participaram da reunião representantes da Comissão de Relação Sindical da Sanepar, que de forma prática fizeram a contextualização das reivindicações aprovadas pela categoria. Segundo eles a Sanepar irá analisar ponto a ponto as reivindicações apresentadas pelo Sindael, juntamente com as demais demandas de outras entidades, para então construir uma proposta a ser submetida aos trabalhadores.
O presidente do Sindael, Marco Santana, reforçou que a pauta apresentada reflete diretamente os anseios de cada empregado, “Essa não é uma pauta construída em gabinete. Ela vem do chão da empresa, do trabalhador que sente diariamente o impacto da inflação, da sobrecarga de trabalho e das distorções salariais. Nosso objetivo é garantir reposição real, valorização e manutenção das conquistas históricas”, afirmou.
Reajuste salarial e valorização dos trabalhadores
Um dos principais pontos debatidos foi a recomposição salarial com ganho real, com ênfase na valorização dos trabalhadores operacionais, que possuem os menores salários da Companhia. O Sindael defendeu a elevação do piso salarial e a correção progressiva das faixas, como forma de corrigir distorções e garantir melhores condições aos atuais empregados e aos novos concursados.
O diretor do Sindael, Bolívar Pavão, destacou que a valorização do piso é estratégica, para ele “se o piso não avança, toda a carreira fica travada. Valorizar quem entra hoje é garantir que a carreira avance amanhã. Não estamos falando de privilégio, mas de justiça salarial”, pontuou.
Vale-alimentação, abono e benefícios
A pauta do Sindael inclui reivindicações sobre vale-alimentação, com pedido de reajuste do valor e redução da coparticipação dos trabalhadores, além disso também foram debatidos:
- Abono anual e critérios de pagamento;
- Incidência de imposto de renda;
- Teletrabalho e ajuda de custo;
- Fornecimento de equipamentos adequados para trabalho remoto.
Sobre o teletrabalho, o Sindael manifestou preocupação com comunicados internos que geraram insegurança entre os empregados quanto ao futuro do teletrabalho (recentemente houve chamamento de todos os empregados do teletrabalho, o que gerou suspeitas do fim do regime). A Sanepar afirmou que não houve decisão corporativa para extinguir a modalidade, reconhecendo, porém, que houve falhas na comunicação que causaram interpretações equivocadas.
Para Marco Santana, a forma como as informações são repassadas precisa mudar, “uma comunicação mal feita gera medo, boatos e desgaste desnecessário. Qualquer mudança que impacte a vida do trabalhador precisa ser dialogada”, ressaltou.
Escalas, horas extras e insalubridade
Outro ponto da reunião foi a discussão sobre escalas de trabalho, pagamento de horas extras, intervalos e adicional de insalubridade. O Sindael relatou situações pontuais de atrasos ou retenção de horas extras e cobrou garantias de que o trabalho efetivamente realizado seja sempre pago.
A Sanepar afirmou que não há orientação institucional para descumprimento de direitos e que eventuais irregularidades devem ser comunicadas para providências imediatas.
Terceirização e representação sindical
O sindicato também levantou preocupações com empresas terceirizadas que prestam serviço à Sanepar sem negociação coletiva com o Sindael, o que pode gerar passivos trabalhistas e responsabilização solidária da Companhia. O pedido é que a Sanepar notifique as terceirizadas sobre a obrigatoriedade de respeito à representação sindical e aos pisos da categoria.
PCCR segue como ponto crítico
O Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração voltou a ser apontado como um dos principais problemas enfrentados pelos trabalhadores, devido à falta de transparência, critérios subjetivos de avaliação e ausência de participação dos empregados no processo de revisão.
Bolívar Pavão defendeu a inclusão dos trabalhadores no debate, para ele “Não é possível discutir o futuro da carreira sem ouvir quem é avaliado por esse sistema. O PCCR precisa ser debatido com quem sente seus efeitos na prática”, afirmou.
Compromisso com o diálogo
Ao final do encontro, o Sindael avaliou a reunião como positiva, reforçando que este foi apenas o primeiro passo de uma negociação que será firme, responsável e transparente. Novas rodadas devem ocorrer em breve, com o objetivo de avançar na construção de um ACT que valorize os trabalhadores e preserve direitos.



